Musica de terra o gumbé

Musica de terra o gumbé

Musica de terra

Se o projecto Dromas tivesse sido levado a cabo até ao fim, ter-se-ia provavelmente uma ideia mais clara acerca do gumbé guineense. O projecto lançado em 1987 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP) tinha como finalidade estudar esta música urbana e semi-urbana, nomeadamente através da recolha de dados sobre os instrumentos utilizados na sua execução e o estudo da melodia, com vista à determinação dos denominadores comuns das suas variantes. Tal não aconteceu e a origem desta música continua a ser objecto de várias teses.
Algumas delas são próximas da teoria do autor de “La Musique Africaine Contemporaine”, reforçando a ideia de que o gumbé teria surgido deste encontro de povos diferentes num ambiente dominado pelas festas depois de um dia de trabalho. Entre os defensores da tese da origem oeste africana e em particular da serra-leonesa, encontra-se o músico e compositor Atchutchi. “Originalmente, ele vem da Serra Leoa mas vai passar por várias evoluções. Desenvolveu-se muito em Nhala, localidade que esteve ligada ao litoral, entre Quínara e Bolama. Foi um estilo musical que passou pela Guiné, Cabo Verde, Saint-Louis, no Senegal e Freetown, na Serra Leoa”, afirma Atchutchi.

O gumbé

A britânica Lucy Duran, professora das cadeiras de Música Africana e Música no Mundo Cultural Mandé na Escola de Estudos Orientais e Africanos, Universidade de Londres, também considera o gumbé um género oeste-africano. Produtora de algumas figuras da música africana, entre as quais o guineense Manecas Costa (o álbum “Paraíso di Gumbé”), Lucy é da opinião que o gumbé foi a “primeira música popular africana”, mas hoje quase em extinção em outros países do continente, com excepção da Guiné-Bissau.
Uma tese que não partilha João Cornélio, antigo director da Escola Nacional de Música José Carlos Schwarz: “Ninguém me convence que o gumbé vem da Serra Leoa, do Mali ou de outras partes. Não é verdade que o que se toca na Serra Leoa ou no Mali é o gumbé que tocamos aqui. Não temos a mesma célula rítmica. O instrumento musical também não é o mesmo: temos o sikó, a percussão que determina o seu ritmo. Sou defensor de que o nosso gumbé é característico. Nem sei se na Serra Leoa ou no Mali se chama gumbé. No nosso país, trata-se de um estilo urbano e semi-urbano das mandjuandadi.” Os defensores de um gumbé característico apontam o facto de ele fazer parte do repertório das mandjaundadi, forma musical cultivada pela maioria das etnias guineenses.

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